sábado, 18 de março de 2017

Um monte de emoções no paraíso alentejano

Se ainda há segredos bem guardados, este é, seguramente, um deles! Acredito que não seja uma ação intencional, mas parece-me que o proprietário das Casas Monte Sardinha ainda não se terá apercebido do ‘tesouro’ que possui e que vai arrendando periodicamente. Disse-lho quando nos conhecemos, tal foi a realidade que eu e a minha família lá encontrámos!
Mas, apesar de eu estar para aqui a assumir uma postura de conselheiro, a verdade é que, no fundo, até acho normal que a tal perceção não exista na sua totalidade. Afinal, acontece-nos a todos nós, não é? Quantas vezes valorizamos demasiado o que nos é alheio e muito pouco os valores que temos ou apresentamos, sejam eles humanos, profissionais ou físicos? Muitas…
Quanto a nós, fomos lá ter com expetativas muito relativas, com conhecimentos muito parcos acerca do espaço que escolhemos para ficar nas férias de verão do ano passado. Sabíamos só que se situava entre a serra e o mar - era uma espécie de condição que impúnhamos - e no nosso querido Alentejo. Foram esses dois aspetos que nortearam a nossa escolha, apesar de ter ajudado a decidir ver algumas imagens das casas e da sua envolvente.
Não tínhamos muita certeza para o que íamos. Essa era a realidade. Deixámo-nos guiar pelo instinto. Foi isso. E o que é certo é que ele não nos enganou. Ou melhor, só um bocadinho. É que encontrámos MUITO MAIS do que aquilo que ele nos prometia…

O paraíso
O Alentejo é uma paixão assumida cá pela família - podem comprová-lo neste recente post: http://objectivanatureza.blogspot.pt/2016/11/alentejo-um-lugar-para-se-ver-e-para-se.html. Sendo assim, de cada vez que nos deslocamos nesse sentido, o nosso ser muda também de direção, ‘bebendo’ a doce tranquilidade aí existente e absorvendo muitas das suas particularidades. É engraçado - e um facto indesmentível - que, nesse cantinho, as nossas fraquezas assumem características muito curiosas e ganham uma nova identidade: chamam-se forças! Sim, é a altura de assumir uma atitude mais positiva e corajosa nesta curta vida!
Durante a viagem, já perto das CasasMonte Sardinha, começámos a vislumbrar uma envolvente repleta de motivos naturais. Que ar puro que ali se respirava! E tanto para explorar! O nosso nível de interesse aumentava, assim, ainda mais. Mas o ponto alto estava reservado para alguns minutos depois, quando um caminho de terra batida nos conduziu até ao lugar onde passaríamos a semana seguinte. De sardinha não tinha nada, mas de monte tinha meeeessssmo muito! A começar pelo monte de emoções que nos provocou, só de uma olhadela!
Era muito mais que um simples monte alentejano! Era… o paraíso. O nosso paraíso! A natureza de que tanto gostamos estava por todo o lado, permitindo-nos um convívio intenso e salutar com ela, e entre nós. Era incrível. O espaço edificado - leia-se duas casas maiores, geminadas, outra mais pequena, afastada, e um barbecue - eram uma espécie de cereja em cima do bolo ainda por abrir. Haveríamos de o fazer mais tarde e comprovar a sua delícia…

Energia a 360 graus
Afinal, a nossa primeira impressão visual do espaço era ainda muito… redutora. E bastou o pôr do sol que presenciámos no final da tarde em que chegámos para compreendermos isso. Uma coisa fenomenal! No jardim traseiro das casas, em cima de duas cadeiras, olhávamos, deliciados, os três, para onde a nossa vista alcançava, na direção do mar. A combinação do sol, em declínio no oceano, com a intermitência das nuvens e a grandeza do campo resultava num quadro bem vivo, de uma intensidade ímpar e, penso, inigualável.
Na primeira manhã naquele monte alentejano - e em todas as outras -, mal abri a porta para sair de casa, dei de caras com um sol radiante, daqueles que penetram na nossa alma, nos injetam doses de energia e nos deixam animados para o resto do dia. Que bom!!! E era apenas o princípio, porque o ‘magnetismo’ sentia-se por todo o lado. A 360 graus! Se não, tentem perceber: olhei em frente, deparei-me com um profundo campo de cultivo de tons amarelados, como que a dar-me o bilhete para o sossego; à direita, mostrava-se uma área de vegetação, de onde se destacavam sobreiros e pinheiros, perfeita para umas conversas a sós com a natureza; à esquerda, uma espécie de piscina natural, a convidar para uns banhos corajosos ou para uma simples contemplação do espaço; nas traseiras das casas, estava guardado o lugar mais inusitado daquele monte: um ginásio ao ar livre, encaixado na… natureza.
Cheguei a pensar se estaria a sonhar. Mas não. O Boris e o Sebastião mantinham-me sempre ligados à terra. Estes dois amáveis cães da família proprietária do monte - e dos quais a minha menina ainda hoje fala - seguiam as nossas pisadas em quase todos os passeios que dávamos. Ou então mostravam-nos, eles próprios, por e para onde ir. Foram uma companhia do princípio ao fim da estadia. Recordo-me, até, de um episódio curioso, em que, sozinho, decidi meter-me por uns atalhos e, quando já achava estar desorientado, encontrei os dois, lá no alto. Fui ter com eles e percebi a razão pela qual olhavam, quase fixamente, para o ‘nada’: a paisagem era tão vibrante quanto paralisante!

Um monte de atrações
Num monte onde tudo parece pensado ao pormenor - hão de ver o espetacular e original ginásio, que dispõe de vários aparelhos peculiares, conjugados de forma amigável com a natureza ali existente!!! -, não falta, sequer, um circuito pedestre. As indicações presentes no trajeto dizem-nos por onde ir para ficarmos a conhecer melhor os cantos e recantos da extensa propriedade, combinando o agradável exercício físico com a salutar aventura exploratória.
E repousar nas camas de rede ali existentes? Que maravilha! Melhor, só mesmo assistir a uma noite de lua cheia - pura sorte, a nossa - a partir daquele monte, contemplando o imenso céu daquele bocadinho do Alentejo, habitualmente iluminado de forma natural pelas inúmeras estrelas e pela luz artificial dos candeeiros de rua das povoações avistadas ao longe.
Como se tudo isso não bastasse, a propriedade é repleta de atrativos ao nível da fauna e da flora. Posso até dizer que, atendendo ao meu gosto pela fotografia, foi dos locais que mais paixão me provocou quando por ali deambulava à procura de motivos para clicar no botão. Ali, quase tudo parecia pedir atenção e posar para a foto, desde coloridas e admiráveis borboletas a extraordinárias libelinhas. Quanto a estas, era ver o espetáculo que davam junto à água daquele lago - e não só - para perceber a sua beleza diante dos nossos olhos!

Harmonia natural e evidente
E o que dizer do acolhimento que tivemos pelo casal proprietário do espaço? Excecional! O anfitrião, Cesário Gonçalves, mostrou-se prestável do início ao fim da nossa estadia, contribuindo, decisivamente, para que nos sentíssemos na nossa própria casa durante aquelas inesquecíveis férias. Para ser franco, não esperava outra coisa, pois a harmonia, naquele lugar, era por demais evidente. Tudo estava incrivelmente em sintonia. Tudo decorria na mesma frequência: do amor, da humildade, do respeito e da compreensão pela essência humana.
Curiosamente, ou não, esse sincronismo não se circunscrevia às Casas Monte Sardinha. Também se manifestava nas imediações. Lembro-me, por exemplo, da simpatia que encontrámos no Café Pinhal Novo, um pouco abaixo do alojamento, e também noutras realidades que conhecemos. Sim, porque há muito para descobrir e para ver por aquelas bandas. Desde logo, pela sua proximidade geográfica, a aldeia de São Francisco da Serra, se subirmos a montanha, ou a lagoa de Santo André, se a descermos e seguirmos para o mar…
Mais: para quem tem crianças - ou não! -, é interessante saber que o Badoca Safari Park se encontra a cerca de cinco quilómetros apenas das Casas Monte Sardinha. Para quem aprecia natureza e vida selvagem, trata-se de uma boa opção visitar aquele imenso parque. Nós fizemo-lo e não nos arrependemos em nada. Mas há outras escolhas possíveis nas redondezas, e para todos os gostos. As cidades de Sines e de Santiago do Cacém constituem duas boas possibilidades, tal como Grândola, mais a norte, com as suas belíssimas praias.

Até já
Com tanto para ver, para explorar, para sentir e para experimentar, não há razões para não se gostar. Nós adorámos a experiência, fomos muito felizes naquele cantinho e é por isso que lá voltaremos um dia destes.
E vocês, já se sentem tentados? Melhor que ler o texto e ver as imagens é, numa próxima oportunidade, passarem lá uns dias e perceberem do que falo. Basta entrarem na página das Casas Monte Sardinha no facebook e encontrarão mais informações e contactos. É imperdível!